Edson Ulisses: Juventude e Lutas Sociais em Propriá
Já em Propriá, Edson Ulisses estudou os cursos primário, no Educandário Nossa Senhora de Fátima e o ginasial, no Ginásio Diocesano, usufruindo de bolsas de estudos concedidas pela Diocese daquela cidade, uma vez que seus pais não tinham recursos para pagar essas escolas. Aos poucos ele ia descobrindo um novo mundo.
Edson teve a oportunidade de participar do MOJUP (Movimento da Juventude de Propriá), cujo objetivo era orientar os jovens com discussões acerca de temas que envolviam a sociedade local, por meio de palestras, jornais e outras atividades. Naquele período construiu um forte laço de amizade com os padres belgas Nestor, Gregório e Irmão Guido. Foi também a oportunidade de se aproximar de Dom José Brandão de Castro, outro religioso que marcou a sua vida.
Dom José Brandão de Castro, fundador em Sergipe da Pastoral da Terra, teve uma participação decisiva em sua sólida formação religiosa, moral, ética, educativa e ideológica. Edson Ulisses aprendeu com ele a lutar pelas causas sociais. Aquele bispo teve sua vida dedicada à defesa dos menos favorecidos e tornou-se conhecido por sua luta em prol das causas sociais, dentre elas a luta pela devolução das terras dos índios Xocós. Luta pela qual Edson Ulisses tem afinidade, pois suas raízes maternas estão fincadas profundamente nesta justa disputa. Essa vivência pessoal fez com que Edson Ulisses experimentasse o que são as causas das minorias, pois sentiu na pele as suas dores e vitórias.
Em Propriá, Edson Ulisses começou a trabalhar muito cedo, exercendo suas atividades como auxiliar de marceneiro, auxiliar de balconista em lojas de tecido e, por fim, no armazém de Pedro Paes Mendonça. Reservava a noite para frequentar a escola. Mesmo nessa atribulada luta pela sobrevivência, nunca deixou de participar ativamente do MOJUP, sendo um dos seus líderes. A experiência adquirida nesse movimento contribuiu muito para a sua formação humanista, a qual, até hoje, repercute em sua vida profissional.
Apesar de já estar órfão de pai e mãe com apenas 16 anos, Edson Ulisses não desvirtuou o seu caminho dos estudos; pelo contrário, estava a cada dia mais obstinado a honrar os ensinamentos de seus pais. Nunca experimentou drogas, nem fez uso de cigarros. Aos 19 anos foi aprovado no concurso público para o Banco do Nordeste do Brasil S/A, mesmo com o curso ginasial ainda incompleto, fato que chamou a atenção dos demais concorrentes, diante da dificuldade do certame. Foi nomeado para trabalhar no banco em Simão Dias, contrariando seus planos de continuar os estudos. Não aceitou a nomeação para aquela cidade, permutando com seu futuro colega Joaquim Freire, um simãodiense que pretendia ficar em sua terra natal.
Para tomar posse no BNB, em abril de 1968, teve que apresentar atestado ideológico, fato que o deixou muito preocupado, dadas as suas relações com D. José Brandão de Castro, através do MOJUP, religioso considerado de esquerda pelos militares. Somente descansou quando seu irmão João Ulisses, já funcionário do BNB, conseguiu na Secretaria de Segurança Pública o atestado de “nada consta” passado pelo então secretário titular, que possuía também o controle ideológico da sociedade.