Edson Ulisses: Estudos e Carreira em Aracaju
No Colégio Estadual Atheneu Sergipense, em Aracaju, começou a estudar o curso científico, com o sonho de se formar em Medicina. Ao terminar o científico, fez imediatamente o vestibular para Medicina, não obtendo sucesso. Isso contrariou muito seu irmão João Ulisses que queria vê-lo médico. Mais contrariado ficou o irmão quando lhe foi dada a notícia de que iria fazer vestibular para Direito.
Matriculou-se no pré-vestibular do professor Hunald Alencar, tendo como professores Jeferson Fonsêca, Hunald Alencar, dentre outros. Edson Ulisses foi aprovado em 4º lugar no vestibular para Direito e, na Universidade Federal de Sergipe, foram seus colegas Arício Fortes, Carlos Alberto Menezes, Luciano Oliveira, Gilson Monteiro, Marta Rezende, Rosângela, Maria Amélia, Maria Paiva, Geovan, Napoleão, Aladir Cardoso, Nilton Vieira Lima, Deoclécio Vieira, Levi Lemos e tantos outros.
Ainda acadêmico, Edson Ulisses conheceu uma simãodiense com apenas 17 anos de idade, Maria do Carmo Déda Chagas, que veio morar em Aracaju para também estudar. O encontro aconteceu em uma “bela noite de junho”, como gosta de lembrar, quando assistiam a uma partida de futebol da Copa do Mundo de 1970, na sede do BNB Clube de Aracaju, na avenida Hermes Fontes. Lembra que Maria do Carmo estava acompanhada de sua irmã Celma e de Mário Jorge Mota Melo, seu colega do BNB.
Após cinco anos de namoro, casaram em 1975, durante a missa de sua formatura em Direito, pois prometera a Dona Zilda, sua sogra, que somente casaria após a conclusão do curso superior. Como todo homem de palavra, cumpriu a promessa. Naquela data, também, estava cumprindo a tão sonhada missão de seus pais. Dessa feliz união com Maria do Carmo, nasceram três filhos (Edson Ulisses de Melo Junior, Luciana Cândida Déda Chagas de Melo e Adriano Ulisses Déda Chagas de Melo) e dois netos (Victor Déda de Melo Rocha Correia e Maria Clara Déda de Melo Fernandes).
No Banco do Nordeste, Edson Ulisses dividia seu tempo com os estudos em Direito na UFS e, posteriormente, também com o magistério de Direito na Universidade Tiradentes e depois na UFS. No banco, ele iniciou sua carreira como auxiliar de escritório e, graças à determinação herdada de seus pais, chegou a exercer o cargo de Chefe da Assessoria Jurídica da regional Sergipe/ Bahia/Alagoas neste banco, cargo no qual se aposentou com louvor e com a amizade de seus pares.
Nessa época foi, juntamente com José Carlos Oliveira (atuante Procurador de Justiça) e José Dantas de Andrade, sócio-fundador da Decide Assessoria Jurídica, posteriormente Decide Imobiliária. Afastou-se quando foi morar em Salvador, como advogado do BNB.
Na sua militância como advogado foi sempre um defensor da ética e moral profissional, defendendo também que a advocacia não é só uma profissão, mas sim um múnus público, que exige do profissional uma visão social de suas causas. Por isso mesmo sempre fez questão de que os advogados que compõem o Escritório Déda e Melo dedicassem parte de seu tempo a realizar atendimentos e acompanhamentos processuais sem cobrar por isso. Fato este que sempre mereceu admiração de seus muitos amigos e colegas de profissão.
A passagem por Propriá gerou, no seu espírito, um convencimento da necessidade de participação, principalmente pela sua experiência no MOJUP. Já em Aracaju, quando era acadêmico em Direito, tinha uma participação no movimento estudantil da Universidade, junto a outros advogados, inclusive contribuindo na edição de um jornal chamado “O Recado”. Esse mesmo grupo, depois de formado, começou a ter uma participação na Seccional de Sergipe da Ordem dos Advogados do Brasil. Por ter esse espírito associativo, Edson Ulisses sempre participou das discussões sociais da época e, como advogado, cumpria suas obrigações estatutárias como integrante da classe. Aos poucos foi se aproximando da OAB/SE, até que um grupo de advogados que tinham militância de esquerda, dentre eles Nilton Vieira Lima, Francisco Dantas, Carlos Alberto Menezes, Clóvis Barbosa, Antônio Jacinto Filho, se mobilizou para tirar a OAB do marasmo, pois enxergavam a Ordem em Sergipe como uma mera subsecretaria de governo, que servia, por muitas vezes, para compactuar com atos de governo, e não como uma instituição que tivesse como objetivo cumprir o seu papel como entidade de classe, que naquela época já possuía estatuto próprio, com recomendações específicas em defesa da sociedade e das instituições jurídicas.